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Este microbook é uma resenha crítica da obra: Argentina em Silêncio: O Dia em que a Motosserra Travou
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ISBN:
Editora: 12min
Ontem, quem caminhou pela Avenida 9 de Julho, em Buenos Aires, encontrou um cenário que parecia saído de um filme distópico. O rugido constante do trânsito portenho deu lugar a um silêncio pesado, quebrado apenas pelos ecos de bumbos e gritos isolados em esquinas estratégicas. A Argentina parou completamente. Uma greve geral massiva, convocada pelos principais sindicatos e movimentos sociais, paralisou transportes, hospitais, escolas e o setor de serviços.
Para entender como chegamos a esse 19 de fevereiro de 2026, precisamos olhar pelo retrovisor. A história não começou ontem; ela começou em novembro de 2023, quando Javier Milei, um economista libertário com uma motosserra na mão e um discurso de "liberdade ou morte", venceu as eleições prometendo pulverizar a "casta" política e restaurar a glória argentina.
Neste Radar 12min, vamos traçar a linha narrativa que liga a euforia da posse de Milei à paralisia total de ontem. Vamos analisar os dados econômicos, a dor social e o choque de narrativas entre um presidente que diz que o sacrifício é necessário e um povo que diz que não tem mais nada para entregar.
O primeiro capítulo dessa saga é o Choque de 2024. Assim que assumiu, Milei aplicou uma terapia de choque que faria qualquer economista tradicional tremer. Ele desvalorizou o peso em mais de 50%, cortou subsídios de energia e transporte e paralisou todas as obras públicas. A lógica era o "Déficit Zero". Milei argumentava que o Estado estava quebrado e que a única forma de salvar o paciente era uma cirurgia sem anestesia.
Durante o primeiro ano, o mercado financeiro internacional aplaudiu. O risco-país caiu e a inflação mensal, que chegou a bater 25%, começou uma trajetória de queda lenta. Mas aqui entra o primeiro grande motivo da insatisfação atual: a Inflação Acumulada vs. Salários. Embora a inflação mensal tenha caído, o poder de compra dos argentinos foi destruído. O preço dos alimentos e dos remédios triplicou, enquanto os salários subiram por escada.
Ao longo de 2025, a Argentina viveu um paradoxo. Nos gráficos de Wall Street, o país estava se recuperando, com superávit fiscal e contas em ordem. Mas nas ruas da Grande Buenos Aires, a pobreza ultrapassou a marca histórica de 55%. O consumo de carne — o símbolo máximo da dignidade argentina — caiu para os níveis mais baixos em um século.
A crise que levou à greve de ontem foi desencadeada por três fatores explosivos no início de 2026:
A Reforma da Previdência: Milei enviou ao Congresso um projeto que desvincula as aposentadorias da inflação, gerando uma perda real imediata para milhões de idosos.
O Fim total dos subsídios: Em janeiro deste ano, as tarifas de luz e gás subiram novamente, tornando as contas de serviços básicos maiores do que o valor do aluguel para muitas famílias da classe média.
O Protocolo Antipiquetes: A mão pesada do Ministério da Segurança, que tentou proibir qualquer bloqueio de ruas, acabou sendo o combustível para a união dos sindicatos, que viram nisso uma tentativa de criminalizar o protesto.
A Versão do Presidente Milei não recuou. Em seu pronunciamento ontem à noite, enquanto o país estava parado, ele manteve o tom desafiador. Para o presidente, a greve é a "última resistência da casta sindical" que não quer perder privilégios. Milei afirma que o país está finalmente limpando os escombros de 100 anos de peronismo e que ceder agora seria condenar a Argentina à hiperinflação definitiva. Ele usa a expressão "As Forças do Céu" para dizer que sua missão é moral, não apenas técnica.
Como o mundo enxerga isso? A visão externa é de um equilíbrio precário. O FMI (Fundo Monetário Internacional) continua apoiando as metas fiscais, mas emitiu alertas recentes sobre o "risco de colapso da coesão social". Países vizinhos, como o Brasil e o Chile, observam com cautela. Há um medo de que a instabilidade argentina gere uma onda migratória e afete o comércio do Mercosul, que já está em frangalhos. Investidores europeus, que antes estavam entusiasmados, agora se perguntam se Milei terá "governabilidade" para terminar o mandato se a rua continuar parando o país.
A greve de ontem foi um teste de força. De um lado, o governo que tem os números fiscais a seu favor; de outro, uma sociedade civil que atingiu o seu limite biológico de resistência. A Argentina de hoje é um laboratório social onde se testa se uma democracia consegue sobreviver a um ajuste fiscal tão profundo sem que o tecido social se rompa completamente.
O que fazer com essa informação?
A crise argentina é um espelho para o mundo e traz lições imediatas para quem acompanha política e economia:
1. Entenda a diferença entre Superávit e Bem-estar: A lição de 2026 é que números macroeconômicos bonitos não sustentam governos se a microeconomia (o preço do pão na padaria) estiver em colapso. Para investidores, o risco agora não é mais o calote da dívida, mas o risco de uma convulsão social que impeça o país de funcionar.
2. O Valor da Governabilidade: Milei provou que é possível aprovar leis por decreto ou pressão digital, mas a greve geral mostra que, sem apoio dos corpos intermediários (sindicatos, governadores e Congresso), o país fica ingovernável. Fique atento a líderes que tentam governar apenas com a "bolha" das redes sociais.
3. Proteção de Ativos em Tempos de Volatilidade: Se você tem negócios ou investimentos ligados ao Mercosul, a palavra de ordem é Hedge (Proteção). A instabilidade do Peso e a incerteza política argentina devem continuar gerando ondas de choque no Dólar e na Bolsa brasileira ao longo de todo o ano de 2026.
O dia de ontem foi o grito de um país que parou para tentar ser ouvido. Javier Milei acredita que está salvando a Argentina. Os sindicatos acreditam que estão salvando o povo. No meio desse fogo cruzado, estão 46 milhões de argentinos que só querem saber se amanhã terão dinheiro para o transporte e comida no prato.
A motosserra pode ter cortado o déficit, mas ontem ela encontrou um nó de madeira que não consegue serrar: a realidade da fome.
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